Homofobia ou autofobia?

Uma série de estudos psicológicos revelam que a homofobia é mais acentuada em indivíduos que tem atração por pessoas do mesmo sexo e que cresceram com pais autoritários que proibiam tais desejos.

O estudo é o primeiro a documentar o papel que os pais e a orientação sexual têm na formação de um intenso e profunto medo de homosexuais, incluindo o auto-relato de atitudes homofóbicas, discriminação, preconceito, hostilidade implícita em relação aos gays e aprovação de políticas anti-gays. Conduzida por uma equipe da Universidade de Rochester, Universidade de Essex (Inglaterra) e a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, a pesquisa será publicada na edição de abril do Journal of Personality and Social Psychology.

“Os indivíduos que se identificam como héteros, mas que em testes psicológicos mostram uma forte atração pelo mesmo sexo, sentem-se ameaçados por gays e lésbicas porque homosexuais os fazem lembrar de tendências semelhantes entre eles”, explica Netta Weinstein, conferencista da Universidade de Essex e principal autora do estudo.

“Em muitos casos são pessoas que estão em guerra com si próprios e estão transformando esse conflito interno em externo”, acrescenta o co-autor Richard Ryan, professor de psicologia da Universidade de Rochester, que ajudou diretamente na pesquisa.

O documento inclui dois experimentos distintos, realizados nos Estados Unidos e Alemanha, sendo cada estudo envolvendo em média 160 estudantes universitários. Os resultados fornecem novas evidências empíricas que apoiam a teoria psicanalítica de que o medo, ansiedade e a aversão que algumas pessoas aparentemente heterosexuais demonstram em relação aos gays e lésbicas, podem nascer por causa de seu desejo reprimido por pessoas do mesmo sexo, disse Ryan. Os resultados também apoiam a mais moderna teoria da auto-determinação, desenvolvido por Ryan e Deci Edward na Universidade de Rochester, que ligam o controle exercido pelos pais em ter uma auto-aceitação mais baixa e dificuldade em valorizar-se incondicionalmente.

As descobertas podem ajudar  a explicar o comportamento das  pessoas por trás de alguns bullyings e crimes violentos direcionados a gays e lésbicas, os autores argumentam. A cobertura da mídia relacionada aos crimes contra gays sugerem que os agressores sentem-se ameaçados por gays. Pessoas que recusam sua orientação sexual acabam atacando-os porque eles ameaçam trazer esse conflito interno à tona, escreveram os autores.

A pesquisa também lança luz em casos onde personalidades públicas anti-gays foram pegos em encontros homosexuais. Os autores escrevem que este conflito interno acabam sendo refletidos, tal como o caso de Ted Haggard, o pastor evangélico que se opunha ao casamento gay mas que foi exposto a um escândalo homosexual em 2006 e Glen Murphy Jr., presidente da Young Republican National Federation e também oponente à união gay que foi acusado de atacar sexualmente um jovem de 22 anos em 2007.

“Nós rimos ou zombamos perante a hipocrisia desse flagrante, mas na verdade, essas pessoas podem muitas vezes serem si próprias vítimas de repressão e experimentar fortes sentimentos de ameaça”, diz Ryan. “Homofobia, não é motivo de riso. Algumas vezes pode ter conseguências trágicas”, disse Ryan se referindo ao caso do assassinato de Matthew Shepard e do adolescente Larry King.

Para descobrir a atração sexual explícita e implícita dos participantes, os pesquisadores mediram as divergências sobre o que as pessoas afirmavam sobre sua orientação sexual e como elas reagiam durante o teste de milisegundos. Eram mostradas palavras e imagens para os estudantes numa tela de computador e então era pedido para organizá-las em categorias “gay” e “hétero”. Antes de cada um dos 50 testes os  participantes foram subliminarmente bombardeados com as palavras “eu” e “outros” piscando na tela durante 35 milisegundos. Foram então mostradas as palavras “gay”, “hétero”, “homosexual” e “heterosexual”, bem como imagens de casais gays e héteros, e o computador rastreava precisamente o tempo de resposta. Uma rápida associação de “eu” com “gay” e uma associação mais lenta com “eu” e “hétero” indicavam uma orientação gay implícita.

Um segundo experimento, no qual os participantes eram livres para navegar imagens do mesmo sexo ou imagens do sexo oposto, forneceu uma medição mais apurada à atração sexual implícita.

Através de uma série de questionários, os participantes também informaram como seus pais eram durante seu crescimento, se autoritários ou democráticos. Os alunos foram convidados a concordar ou discordar de declarações como: “Eu me senti controlado e pressionado em certas ocasiões”, e “Me senti livre para ser quem eu sou”. Para medir o nível de homofobia em casa, os indivíduos responderam ítens como: “Seria perturbador para minha mãe descobrir que ela estava sozinha com uma lésbica” ou “Meu pai evita homens gays sempre que possível”.

Finalmente, os pesquisadores mediam o nível de homofobia dos participantes – tanto as evidentes, expressadas em questionários de política social e crenças, como as implícitas, reveladas em métodos de complementação de palavras. Neste último, os estudantes escreveram as primeiras três palavras que lhes vinham em mente, por exemplo para “K I _ _”.  O estudo acompanhou o aumento da quantidade de palavras agressivas que surgiam após subliminarmente, mostrar assuntos com a palavra “gay” durante 35 milisegundos.

Em todos os estudos, os participantes cujos pais tinham maior aceitação e apoio, eram mais seguros com sua orientação sexual implícita, enquanto os participantes com pais mais autoritários, revelaram mais divergências entre sua atração implícita e explícita.

“Numa sociedade predominantemente heterosexual, ‘conhecer a si mesmo’, pode ser um grande desafio para muitos indivíduos homosexuais. Mas em lares controladores e homofóbicos, aceitar uma orientação sexual minoritária, pode ser aterrorizante”, explica  Weinstein. Esses indivíduos arriscam perder o amor  e aprovação de seus pais se admitirem ter atração sexual por pessoas do mesmo sexo, então muitas pessoas negam ou reprimem essa parte deles, disse ela.

Além disso, participantes que relataram ser mais heterosexuais do que demonstrou sua performance no teste de reação em milisegundos, eram mais propensos a reagir com hostilidade aos gays, mostra o estudo. A inconsistência nas medições de orientação sexual implícita e explícita previu uma variedade de comportamentos homofóbicos, incluindo auto-relato de atitudes anti-gay, hostilidade implícita em relação aos gays, aprovação de leis anti-gays, preconceito e discriminação tal como atribuição de punições mais severas para os homosexuais, concluiu o autor.

“Este estudo mostra que se você tem sentimentos hostis contra outros grupos, pergunte a si mesmo, ‘Por que?'”, diz Ryan. “Estas emoções intensas podem ser um chamado para uma auto-reflexão.”

O estudo tem várias limitações, escreveu o autor. Todos os participantes eram estudantes universitários, isso pode ser útil em futuras pesquisas para testar estes efeitos em adolescentes mais jovens que ainda moram com seus pais e em adultos mais velhos já independentes, e observar como as atitudes mudam ao longo do tempo.

Outros colaboradores para a pesquisa são Cody DeHaan e Nicole Legate da Universidade de Rochester, Andrew Przybylski da Universidade de Essex e Willian Ryan da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

Universidade de Rochester

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3 comentários sobre “Homofobia ou autofobia?

  1. NÃO ENTENDO TANTA POLÊMICA,COM UMA COISA QUE EXISTE E FAZ PARTE DO SER HUMANO,DESDE AS ORIGENS DAS ORIGENS…..POLÊMICA QUE NÃO LEVA A CANTO ALGUM – NADA COM NADA PARA NADA EM NADA EM NADA PARA CANTO ALGUM EM NADA……VAMOS ARRUMAR SERVIÇO PARA FAZER,TRABALHAR,ESTUDAR,ESTUDAR 3,4,5,6, IDIOMAS OCUPAR O TEMPO,LARGUEM DE BABOSEIRAS.TUDO ISSO É NORMAL FAZ PARTE DA HUMANIDADE.JESUS ESTÁ BEM CLARO EM MATEUS – 19: 1 A 30 E ESPECIFICAMENTE EM MATEUS 19: 12 – EUNUCOS – JESUS FALA EM 3 TIPOS DE EUNUCOS,MTO BONITO A EXPLICAÇÃO…..ISTO É PÁRA QUEM ENTENDE DE ESOTERISMO.ABRAÇOS A TODOS E LARGUEM MÃO DE PERDEREM TEMPO COM POLÊMICA QUE NÃO LEVA A CANTO ALGUM.TÉ+

    • Disse corretamente Ahmed, “faz parte do ser humano”. Somente do ser humano né? Afinal o homosexualismo existe em quase todos os seres vivos na Terra, mas a homofobia exite somente na espécie humana, portanto alguma coisa está errada, não acha? Segundo esse texto o estudo parece ter indícios que a criação dos pais podem ter desencadeado esse sentimento. Não vejo nada de errado na polêmica, afinal esse sentimento tem matado pessoas e gerado violência. Se a pesquisa for válida e a polêmica também for válida para conscientizar pessoas que a HOMOFOBIA É QUE NÃO LEVA A NADA, então parabenizo os pesquisadores e este blog que nos trouxe essa informação.

  2. A frustração sexual é algo latente em todo o ser humano, as pessoas tem medo do que realmente são: pervertidos sexuais, e a alto negação é a grande propulsora da violência. Pois ódio nada mais é do que a mascara do amor que não pode ser correspondido, e necessita de um meio para extravasar tal sentimento.

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