Você tem medo dos outros julgarem você?

Você tem medo dos outros julgarem você?

Às vezes eu me julgo até mesmo quando eu olho para o meu gato. E então às vezes penso que o que ele pensa sobre mim talvez não seja tão bom. Não é incrível? Um ser que por sua própria natureza é zen. E mesmo assim acho que ele está me julgando.

Parece-me que a maioria de nós tem medo de que as outras pessoas nos julguem. E o que fazemos? Nós não damos às outras pessoas a oportunidade de nos julgar, por que nós mesmos nos julgamos antes mesmo de que eles tenham a chance de pensar em nós por um segundo. Já fui tão obcecado quanto a opinião dos outros, mesmo quando eu achava que não. Ultimamente tenho percebido que me agarrei a algumas ideias muito limitadas sobre como o mundo e as pessoas funcionam. Julgar é uma delas.

Se você acha que as outras pessoas estão te julgando, já considerou que talvez todas elas estejam pensando como você? O que quer dizer; todas elas acham que estão sendo julgadas. E assim mantemos os julgamentos lá, sem questioná-lo. Continuamos a fofocar e discutir sobre a vida das pessoas ao invés de olharmos para nossas próprias vidas. Esquecemos que somos nós que estamos no controle de nossas vidas.

Precisamos de um pouco de coragem para sair desse ciclo de julgamentos e vermos o que isso realmente significa. Julgar, em parte é ser vítima, você tendo consciência disso ou não. Numa grande parte de nossa vida fomos ensinados que é preciso seguir algumas orientações; precisamos respeitar as autoridades e ouvir nossos pais e professores. E não há nada de errado com isso, em nossos primeiros anos de vida precisamos de ajuda em nosso caminho. Mas se você foi ensinado de que tem que ser mais bem sucedido de que seus pais, por que você tem a oportunidade que eles não tiveram de ir para a universidade, você está sendo ensinado errado. Os pais nunca devem projetar seus próprios sonhos fracassados em seus filhos. Os filhos devem ser orientados a se expressar plenamente, sem julgamentos. E o que pensar sobre os professores que dizem que você nunca vai vencer na vida?

Todo esse julgamento vem com um preço. Perdemos a capacidade de sermos nós mesmos. Ficamos presos neste jogo tentando ganhar popularidade, dinheiro, entre outras coisas. O que tudo isso tem a ver com julgamento? É a crença de que, quando formos ricos ou famosos, as pessoas irão gostar de nós. É a projeção da crença que foi nos ensinado e que nos limita. A crença limitadora que diz: “Eu não sou bom o suficiente”. Então nos esforçamos e esforçamos para alcançar níveis cada vez mais altos e mesmo assim não estamos satisfeitos e felizes.

O que podemos fazer para acabar com tudo isso? Devemos analisar nossa própria crença central (por exemplo, para mim, é a de que eu nunca vou ser bom o suficiente ou que não sou merecedor). Examinando-se, você irá perceber que esta crença não é sua de verdade. Foi impressa em você desde que era jovem. Quando você era criança, você não estava preocupado com o que as outras pessoas pensavam sobre você. Não,você estava apenas brincando, tendo bons momentos e às vezes maus momentos. Mas não havia um diálogo interno dizendo que você não é merecedor ou que você não consegue fazer tal coisa. Você sabia que poderia fazer todas as coisas.

E para mim, tem se mostrado muito útil olhar todos os meus vícios: pensamentos, fumar, beber (álcool ou café), comer sem ao menos apreciar a comida, etc. Comecei a ver todos os impactos negativos que esses vícios tinham sobre mim. Estavam todos lá para me impedir de ver a crença negativa que eu carregava. Eu estava me julgando, me entregando ao vício. “Ah, você é tão fraco! bebendo mais cerveja…”. E o próximo passo era “Bebeu cerveja demais? Você é fraco demais”. Então comecei a notar um padrão. É um ciclo negativo que se mantém escondido quando não é notado.

Como finalmente agora estou prestando atenção em todas essas coisas, consigo ouvir todos os julgamentos em minha cabeça. E o bom é que estar ciente dos julgamentos, eu posso optar por não seguir o seu exemplo. Estamos livres para deixar os julgamentos de lado e ao invés disso começar a olhar para as coisas boas de nós mesmos e dos outros. Se você sente que está julgando a si mesmo demais, escreva uma lista das coisas que você faz bem. Talvez você só esteja focando atenção demais no lado negativo e deixando de lado todas as coisas boas da sua vida.

O processo de auto-observação pode ser doloroso, mas vale a pena. Posso dizer por experiência própria. Eu achava que sabia de tudo, que era feliz e que tinha o controle das coisas. Mas então um grande amigo meu morreu de repente e eu estava em choque. Levei anos para superar isso e nos últimos meses percebi que precisamos mudar se quisermos fazer algo de nossa vida. Examinando meus próprios julgamentos comecei a aprender mais com minhas crenças limitadoras. Isso me deu o espaço que precisava para crescer. Um por um estou trabalhando com eles e enfrentando-os naquilo que realmente são: ilusões. Porque na realidades somos pessoas bonitas. Eu e você! Apenas nos escondemos porque achamos que temos que ter vergonha de nós mesmos. Mas não há nada no mundo com que temos que se envergonhar, por pior que você pense que é. Porque você está vivo! E se você aprecia a vida, por que não começar a apreciar a si mesmo com todos ou sem nenhum julgamento?

Como Anthony de Mello disse tão bem:

“A compreensão vai dissolver o vício. E você será livre. E você vai entender o que a beleza da oração significa. E você vai descobrir o que é a realidade. O que é Deus. Porque teremos derrubado uma das maiores ilusões. A ilusão de que devemos ter apreciação, de ser popular, de ter sucesso, ter prestígio e honra, poder e popularidade. Há uma única necessidade, a necessidade de ser real e a necessidade de amar. Quando o indivíduo descobre isso, ele se transforma. Uma vez que a vida se torna oração.”

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